Introdução
Já imaginou voar para o Caribe, passar uma semana em Lisboa ou até fazer aquela tão sonhada viagem para o Japão — pagando menos da metade do preço… ou até de graça? Parece impossível, mas milhões de brasileiros já fizeram isso usando algo que muitos ignoram: pontos e milhas.
Viajar não precisa ser um luxo inacessível. Com um pouco de planejamento, conhecimento e consistência, é possível transformar suas compras do dia a dia — do supermercado ao abastecimento do carro — em passagens aéreas reais. E o melhor: sem precisar gastar fortunas em cartões de crédito ou virar um “expert” em programas de fidelidade.
Neste artigo, você vai descobrir como começar do zero, quais são os programas mais vantajosos no Brasil, como acumular milhas de forma inteligente, evitar erros comuns e, acima de tudo, transformar pontos em viagens reais — sem complicações. Se você sempre achou que milhas eram só para executivos ou milionários, prepare-se para mudar de ideia.
Vamos decolar?
Entendendo o básico: o que são pontos e milhas (e por que valem ouro)

Antes de tudo, é importante entender: pontos e milhas não são a mesma coisa — embora muitas vezes sejam usados como sinônimos.
Milhas aéreas são unidades de valor de programas de fidelidade de companhias aéreas, como Latam Pass, TudoAzul ou Smiles (Gol). Elas são usadas principalmente para resgatar passagens, upgrades e serviços de viagem.
Já os pontos de cartão de crédito (como os do programa Livelo, Amigo, ou banco próprio) podem ser convertidos em milhas aéreas ou resgatados diretamente por produtos, viagens, ingressos e até recargas de celular.
A grande sacada? Você ganha esses pontos automaticamente — basta usar seu cartão de crédito ou participar de parcerias. Cada R$ 1 gasto pode gerar entre 1 e 5 pontos, dependendo do cartão e da categoria. E com o tempo, isso se transforma em milhares de milhas.
Exemplo prático: uma passagem de ida e volta São Paulo–Porto (Portugal) custa, em média, R$ 3.500 em dinheiro. Mas pode ser resgatada por cerca de 50.000 milhas + taxas (cerca de R$ 300). Ou seja: uma viagem internacional por menos de 10% do valor real!
Escolha o programa certo (e evite armadilhas comuns)
Nem todos os programas de milhas são iguais. Alguns têm regras rígidas, tarifas altas ou pouca disponibilidade — o que frustra até os mais pacientes.
No Brasil, os três principais programas são:
- Smiles (Gol): um dos mais flexíveis. Permite transferir pontos de cartão de crédito rapidamente (às vezes em minutos) e tem muitas promoções de “milhas em dobro”.
- TudoAzul (Azul): excelente para quem mora perto de cidades atendidas pela Azul. Tem resgates com poucas milhas em voos domésticos e parceria com a American Airlines para destinos internacionais.
- Latam Pass: ideal para voos internacionais, especialmente com oneworld (como British Airways e Iberia). Porém, as milhas expiram em 3 anos — atenção!
Além disso, existem programas “híbridos” como o Livelo, que reúne parceiros de cartões (Santander, Bradesco, etc.) e permite converter pontos em milhas de qualquer companhia.
Dica crucial: não se inscreva em todos os programas ao mesmo tempo. Escolha 1 ou 2 para concentrar seus esforços. Quanto mais milhas acumuladas em um só lugar, mais rápido você voa.
Como acumular milhas sem gastar mais do que já gasta
A boa notícia? Você não precisa mudar seu padrão de consumo para começar a acumular milhas. Basta redirecionar seus gastos habituais.
Aqui estão estratégias práticas (e reais) para fazer isso:
- Use um cartão de crédito com bom programa de pontos: Cartões como Santander SX, Itaú Personnalité, Nubank Ultravioleta ou Banco Inter Black oferecem alta taxa de acúmulo (até 5 pontos por real gasto em categorias selecionadas).
- Pague contas fixas com o cartão: água, luz, internet, Netflix, Spotify — tudo isso pode entrar na sua fatura e gerar pontos. Só não se esqueça de pagar em dia!
- Compre em parceiros: Supermercados como Carrefour, Pão de Açúcar e Extra têm parcerias com programas de milhas. Às vezes, você ganha milhas extras só por comprar ali.
- Participe de promoções: Toda semana, os programas lançam campanhas como “Ganhe 50% a mais ao transferir pontos” ou “Milhas em dobro na compra de passagens”.
Exemplo real: Um leitor do Rio de Janeiro pagou suas contas mensais (R$ 2.500) com cartão parceiro do Livelo e, em 6 meses, juntou 45.000 pontos — convertidos em 30.000 milhas Smiles. Resultado? Uma passagem GRÁTIS para Fortaleza.
Lembre-se: o segredo não é gastar mais, mas gastar melhor.
Estratégias avançadas (mas acessíveis) para viajar mais com menos
Depois que você entende o básico, é hora de subir de nível — sem complicação.
1. Combine milhas + dinheiro
Muitos programas permitem pagar parte da passagem em milhas e parte em reais. Isso é útil quando você está perto do valor necessário para resgatar. Às vezes, com 70% em milhas, você já economiza 50% do valor total.
2. Acompanhe a disponibilidade com alertas
Use ferramentas gratuitas como Milhas na Rede, MaxMilhas ou até o próprio site da companhia aérea para configurar alertas de assentos com milhas. Voos com pouca procura (segundas-feiras, madrugadas) costumam ter mais disponibilidade.
3. Aproveite transferências promocionais
Bancos frequentemente oferecem bônus de 30% a 100% ao transferir pontos para milhas. Se você tem 10.000 pontos no banco e aparece uma promoção de +50%, vira 15.000 milhas! Fique de olho nas redes sociais dos programas.
4. Viaje na baixa temporada
Voos para o Nordeste em julho custam o dobro do que em março. Com milhas, a quantidade exigida é a mesma — mas as taxas e impostos podem ser menores em períodos de baixa demanda.
Essas pequenas táticas, combinadas, fazem uma enorme diferença no custo final da sua viagem.
Histórias reais: como pessoas comuns viajam o mundo com milhas

Não é preciso ser rico — basta ser consistente.
A Ana, professora do interior de Minas Gerais, nunca havia saído do Brasil até 2022. Resolveu se inscrever no Smiles e, nos 12 meses seguintes, pagou todas as suas despesas com um cartão parceiro. Resultado? Juntou 80.000 milhas e voou sozinha para Buenos Aires, pagando apenas R$ 220 em taxas.
O casal Rafael e Juliana, de Curitiba, usou milhas da TudoAzul para levar os dois filhos para o Disney Cruise Line nos EUA — algo que custaria mais de R$ 25.000 em dinheiro. Com pontos acumulados em 18 meses (incluindo um bônus de boas-vindas de um cartão premium), eles gastaram zero reais na passagem aérea.
Essas histórias provam que milhas não são privilégio — são ferramentas acessíveis para quem sabe usá-las.
E o mais bonito? Ninguém precisou mudar radicalmente seu estilo de vida. Só organização, foco e um pouco de paciência.
Evitando os erros que fazem você perder milhas (e dinheiro)
Muita gente começa com entusiasmo… e desiste por cometer erros evitáveis. Veja os mais comuns — e como evitá-los:
- Esquecer a validade: Milhas expiram! No Smiles, duram 2 anos e meio após o último movimento. No Latam Pass, 3 anos. Faça pelo menos uma busca ou transferência pequena a cada 12 meses para renovar.
- Converter pontos na hora errada: Sempre espere por promoções de bônus. Transferir sem bônus é deixar dinheiro (ou milhas) na mesa.
- Ignorar as taxas: Algumas passagens “gratuitas” têm taxas absurdas (R$ 800+ em voos internacionais). Sempre confira o valor total antes de resgatar.
- Acumular em programas sem uso prático: Se não há voos da Azul na sua cidade, não faz sentido focar no TudoAzul. Escolha com base na realidade da sua região.
Pequenos descuidos podem custar milhares de milhas. Mas com atenção, você as mantém sempre ativas e prontas para voar.
Conclusão
Viajar com pontos e milhas não é magia — é estratégia acessível a todos. Neste artigo, você aprendeu que:
- Milhas podem ser acumuladas com seus gastos do dia a dia;
- Escolher o programa certo e focar seus esforços acelera seus resultados;
- Pequenas táticas — como aproveitar promoções e viajar na baixa temporada — multiplicam seu poder de compra;
- E, acima de tudo, consistência bate sorte: quem persiste voa.
Você não precisa ser um especialista, nem gastar mais. Só precisa começar. Hoje mesmo, você pode se inscrever em um programa (é grátis!), anotar os parceiros próximos de casa e revisar como paga suas contas.
Imagine, daqui a um ano, olhar para trás e ver que transformou suas compras rotineiras em uma viagem inesquecível. Isso é possível — e muito mais perto do que você imagina.
E aí, qual será seu primeiro destino com milhas?
Compartilhe nos comentários: você já usou pontos para viajar? Quer começar agora? Sua história pode inspirar outros leitores a dar o primeiro passo rumo a viagens mais baratas — e mais livres! ✈️🌍

Fernando Oliveira é um entusiasta por viagens e gastronomia, explorando novos destinos e restaurantes em busca de experiências únicas. Apaixonado por liberdade financeira e alto desempenho, ele alia disciplina e curiosidade para viver de forma plena, cultivando hábitos que impulsionam seu crescimento pessoal e profissional enquanto desfruta do melhor que o mundo tem a oferecer.






